Estes são sonetos que eu escrevi. Nem todos estão aqui; estes são só aqueles que eu achei bons o suficiente para compartilhar. Alguns vêm com uma seção de "contexto" com explicações que eu achei benéficas à compreensão do soneto.
Contexto
Eu escrevi este soneto para a página de agradecimentos da monografia do meu TCC,
que no entanto nunca foi publicado porque eu optei pelo formato de artigo, que não tem essa página.
Dirá Napoleão: “Eu, corso rude,
Fui grande imperador de toda a França;
César, porém, divino estado alcança,
E eu nunca alcancei tanta virtude”.
César dirá: “Venci, sim, amiúde,
Mas Alexandre tinha por usança
Ser do mundo senhor, de espada e lança,
E eu só de Roma ser senhor não pude”.
Alexandre, por fim, com ar sereno,
Dirá: “Fui o primeiro, sem segundo,
Que conquistei todo o solar terreno.
Senti, pois, um pesar grave e profundo
E lamentei o mundo ser pequeno
Para vaidade tão maior que um mundo”.
No céu existe uma imortal cidade,
Êmula ao mundo e aos tempos soberanos,
Que pode não temer da morte os danos,
Nem as armas cruéis da antiguidade.
É torpe nela a própria eternidade,
E as leis do esquecimento, vis enganos;
O fado, sem poder; sem força, os anos;
Nem o tédio prolonga a breve idade.
Ulisses arrasou de Troia os muros
Com um cavalo de pau e tosca espada,
Pelo louvor dos séculos futuros.
Cartago foi império, agora é nada;
Mas os portões do céu estão seguros
Contra assaltos de toda mão armada.
O dogma da Santíssima Trindade
Nos diz, de modo claro e cristalino,
Que três pessoas, num só ser divino,
Representam a única verdade.
Porém esse pendor da divindade
É causa de profundo desatino:
Se é uno, como pode, então, ser trino?
Se é trino, então, o que Lhes dá unidade?
A humana fantasia é vaso estreito:
Nela não se permite que se acabe
A mais pálida cor desse conceito.
Como um só Deus pode ser três? Não se sabe;
Que juízo tão alto e tão perfeito,
Em mente tão pequena, enfim, não cabe.
Para salvar os homens, Se fez homem
Aquele cuja mãe do céu concebe;
E a Sua alta presença se percebe
Onde, por Ele, dois fiéis assomem.
Quando o santo alimento então consomem,
Cada qual o Seu corpo em si recebe:
Um, no copo de vinho, sangue bebe;
Outros, no pão de trigo, carne comem.
Ó Cristo, triunfante na desgraça,
Sobre a morte, ao morrer, destes vitória
E redenção à pecadora raça.
Quando o fazemos em Vossa memória,
Nosso único dever é dar-Vos graça;
Nosso único prazer é dar-Vos glória.
Contexto
Eu escrevi este soneto como uma paródia humorística do Último flor do Lácio, de Olavo Bilac.
O original pode ser lido aqui.